Certo. Não passei na faculdade que queria, mas já imaginava que isso iria acontecer. Não sei o que senti. Talvez eu tenha ficado um pouco decepcionada no início, entretanto, tive a consciência que ainda sou muito nova. Aliás, quantas pessoas tentam há anos? Inúmeras.

Posso afirmar que a única coisa que senti foi receio de contar para os meus avós. Eles, no fim, disseram que eu sou muito nova e, como minha vó paterna falou, "bola pra frente!". Porém eu sinto que todo o dinheiro investido no ensino particular foi em vão. Não sei, pode ser loucura. Ou não.

Não queria sentir isso. Eu amadureci muito nesses últimos anos e tenho a noção que aprendi muitas coisas, mas acho que é inevitável. Pode ser só medo do futuro, do que as pessoas vão dizer sobre não ter passado ou enfim, todas as coisas que se repetem a cada dias por doze meses.

Eu sei que sou capaz, só é frustrante as vezes pensar o contrário.

É só questão de ser

Chegou um momento em que o equilíbrio perdeu-se dentro de mim. Acho que era ansiedade. O controle que busquei o ano inteiro entrou em conflito no instante em que adentrei na sala para fazer uma prova que decidiria o meu futuro. Ok, é certo dizer que o futuro não depende apenas de algumas questões, mas também é inevitável não falar que a cobrança para ir bem nesse mesmo exame existe.

É estranho. É confuso. É frustrante. Foi desesperador ver os meus "concorrentes" entrarem na sala para fazer a mesma prova que eu. "Concorrentes". Por mais que o colégio insista em dizer que os meus adversários estão estudando sem parar, eu não gosto desse termo. Eles não são meus inimigos. Eles são como eu, pessoas que se preparam para um prova e que diariamente recebe a pressão do "seja melhor que os outros". O que está em jogo é somente um número e isso não deveria definir quem sou.

Porém, atualmente, define.

No meio da prova, tive uma crise. Fiquei ansiosa, queria acabar com aquilo logo e ir embora. Teve um momento em que olhei para o lado e vi meus "concorrentes" concentrados em questões que se eu tivesse estudado mais, conseguiria fazer. Na verdade, eu conseguia resolver, mas fui tomada por uma onda de insegurança e foi como se todos os conteúdos que aprendi o ano todo, tivessem sumidos. Errei tantas coisas fáceis e saí achando o óbvio: não passei e não irei para a faculdade ano que vem.

Eu só queria dormir e esquecer de tudo. Queria chorar, mas guardei o soluço e enfrentei como se eu estivesse bem. "Ano que vem tento de novo". Mas eu não sei como 2018 vai ser. Não sei onde vou estar, com quem, se os planos que estou traçando em 2017 vão se realizar. É tudo tão incerto.

Tem tanta coisa acontecendo que eu só queria pausar um minuto e tirar aqueles segundos para preencher com memórias boas, diferente desse vazio que sinto por nem me reconhecer mais. É só questão de ser.



Precisamos falar sobre Setembro Amarelo



Gosto muito desse clima amigável de Setembro, do ar de inverno que se esvai dando vida a primavera. A natureza é preenchida de flores coloridas enquanto o céu se abre numa coloração de azul. O floreiro da essência da aurora se torna agradável para quem vê e respira o oxigênio da atmosfera, mas para alguns isso é frívolo. Muitos estão ocupados com a sua rotina que toma grande parte do seu tempo, e coisas relevantes ocorrem rapidamente assim como as horas se passam.

É por isso que eu gosto de Setembro! Ah, Setembro, queria muito que você ficasse. Adoraria ver essa sua simpatia amarela por todos os meses. Não importa que cor seja, mas você poderia ficar, sendo rosa, azul, laranja ou amarelo. Podia trazer sempre essa preocupação que as pessoas tem uns com os outros quando postam em algum lugar que está sempre disposto a ajudar e ouvir desabafos. Mas sabe, eu sinto que quando você passar, esse socorro irá ficar para trás. Irão voltar cada um para o seu canto, como se você fosse apenas mais alguma coisa, como se o suicídio só acontecesse em Setembro, e não em Outubro, Novembro, Dezembro ou até mesmo em Janeiro.

Mas aí eu penso: e aquelx garotx que foi puxadx aos poucos pela depressão? Aquelx que no início lutou contra a vontade de sair de casa, mas perdeu o confronto e se afundou na cama, onde a coberta por cima de seu corpo lhe dava assistência? Normalmente tentam ignorá-lx no dia a dia, onde a máscara social está presente no seu cotidiano.

A pergunta é: o que nos define? Quem realmente você é? Queria saber se você é aquela pessoa que se esconde através da aparência, inventando ser quem nunca foi. Ou, talvez, aquele que solta um sorriso, se questionando ser feliz. Você é feliz ou apenas aparenta ser?

Seria tudo muito fácil se permitissem que a felicidade fosse verdadeira e baseada no que as pessoas sentem, sem questionamento de porquês. E se abraçassem sem mentiras e não falassem pelas costas, tudo seria muito mais limpo e a vida não seria tão complexa.

Nos acostumamos tanto com um conceito que se torna algo constante e "normal" quando, na prática, isso não deveria estar no nosso usual. É tão fácil julgarmos certa pessoa porque fez tal coisa, que esquecemos de tentar saber e procurar a verdadeira razão para poder ajudá-lx, já que "isso não é da nossa conta". Na verdade, enquanto você está curtindo com seus amigos, esse sujeito está repensando nas palavras que disse e no que poderia ter feito ou sido se tivesse uma oportunidade de mudar, tentando ser aceito por vozes que disseram para estar dentro de um padrão.

Quando alguém lhe falar sobre depressão, transtornos e outros problemas, nunca desmereça isso só porque não está na sua realidade. Não é só porque você não tem essa crise que é algo inventado ou fictício. O silêncio de uma pessoa muitas vezes não é por falta de palavras, e sim pela complexidade e abundância delas.

No fim, queria muito que esse ar de Setembro Amarelo não fosse embora, e que todo esse amparo continuasse existindo a qualquer hora.



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